terça-feira, 20 de março de 2012

A Influência do Cinema junto à Moda



Ao analisarmos historicamente a sociedade a partir da invenção do cinema no final do século XIX, podemos notar que grande foi sua influencia especialmente junto aos jovens.
Na década de 1920, Hollywood começa a se desenvolver e a se tornar o maior centro cinematográfico do mundo, produzindo nessa década grandes sucessos como os filmes de Charlie Chaplin, e lançando grandes produtores como Daryl Zanuck e Samuel Goldwin. Mas apesar de nessa época, Hollywood fazer grandes lançamentos, podemos notar o auge de sua influencia nos denominados Anos Dourados de Hollywood, quando se é lançado estrelas aos montes.
A Era de Ouro de Hollywood está marcada pelos anos de 1930 até a popularização da televisão entre 1950 e 1960.
Talvez, os primeiros astros do cinema sejam Charlie Chaplin e Buster Keaton, ambos do cinema mudo. A figura de Chaplin é reconhecida até hoje, pois se caracterizou com as calças largas, a bengala e a cartola. Já Buster Keaton é conhecido por ser o comediante que nunca ri. Ambos produziram filmes clássicos como O Grande Ditador (1940) e A General (1927).
Com o advento do cinema falado, em 1920, começaram a serem produzidos os musicais, gênero hoje em decadência, mas que teve seu auge durante a Era Dourada. O som lançou estrelas reverenciadas como Joan Crawford, Louise Brooks e Gloria Swason, donas do estilo melindrosa - cabelos curtos e arredondados, olhos fortemente marcados e baton escuro. Vale lembrar que essa é a década de Chanel e Patou, grandes nomes do universo da moda.

                 Gloria Swanson      Louise Brooks         Joan Crawford

Surgem as revistas de fãs. Os astros do cinema são mais conhecidos que o estilista que as veste.
Em 1929, ocorre a primeira premiação da Academia, popularizado com o nome de Oscar. Essa premiação tem influencia até hoje, pois além dos astros abrilhantados, há também o clássico “tapete vermelho” onde se observa a elegância e o traje dessas estrelas. O primeiro filme a ganhar o premio de melhor do ano foi o mudo Asas (1929).
Surgem as divas: seres intocáveis, idolatrados por seus milhares de fãs. A maioria delas tem seus corpos alterados, para alcançar o ideal de perfeição. Greta Garbo, Jean Harlow, Marlene Dietrich e Katharine Hepburn foram algumas delas. Greta, teve seus dentes consertados antes de alcançar o estrelato. Ignorava baton e se maquiava sozinha, possuía uma aura de elegância e mistério únicos. Dona de uma voz rouca e sensual, logo passou a levar milhares de mulheres à loucura, todas querendo copiá-la.
Pouco depois, a diva que iria causar furor em Hollywood, seria Marlene Dietrich. Vinda da Bélgica, Marlene passou por várias transformações antes de debutar nas artes. Afinou as bochechas, retirou os sisos e emagreceu. Ela foi a primeira mulher a usar calças compridas publicamente. Em um mundo de vestidos bufantes, Marlene brilhou com seus terninhos que davam a ela uma aparência masculinizada.
O figurino era parte essencial para o sucesso de um filme. O guarda roupa das atrizes eram super valorizados. Estilistas investiam nesse meio para propaganda.
Hollywood passou a contratar estilistas próprios.
                                                                                                                                                            

Greta Garbo                        Marlene Dietrich



Edith Head
Considerada a maior figurinista de Hollywood, tendo ganhado oito Oscars de melhor figurino, Edith Head ficou conhecida por vestir as mais diversas atrizes. De Grace Kelly, Doris Day à Audrey Hepburn. Seu maior talento estava em evidenciar no corpo das atrizes aquilo que as realçava e esconder os defeitos. Dentre os filmes que vestiu estão os clássicos Janela Indiscreta (1954), Sabrina (1954), A Princesa e o Plebeu (1953) e vários outros.

Com seus oito Oscars, Edith Head é mulher que mais ganhou o prêmio

As roupas de esporte e lazer também forma lançadas pelo cinema. Os sarongues usados por Dorothy Lamour em 1936, no filme A Princesa das Selvas, virou moda pelos anos seguintes.
No entanto, apesar do glamour apresentado pela sétima arte, as mulheres de classe média e baixa, não tinham condições de aderir ao estilo lançado pelas telas. Por isso, a maquiagem e o penteado eram os mais imitados.
E o mundo masculino? Aqui, artistas como Cary Grant e Gary Cooper lançavam ao mundo o estilo sedutor, informal e britânico.
Em 1940 e 1950, dois estilos distintos marcaram: o das loiras platinadas e curvilíneas e o das ingênuas e chiques.
O estilo loira platinada e curvilínea tem como maior ícone a atriz Marilyn Monroe. Mas não foi ela a primeira a usá-lo. Foi Jean Harlow a pioneira. Cabelo quase branco, boca bem delineada e cheia de curvas, definiu o estilo de toda uma safra de artistas. São as mulheres fatais. Entre as loiras platinadas se encaixam Marilyn Monroe e Brigitte Bardot, e entre as curvilíneas, Ava Gardner e Elizabeth Taylor.



Jean Harlow

            Grace Kelly, Doris Day, elegantes e “ingênuas”, lançam moda. Saias amplas, pérolas e cintura marcada fazem sua vez. Rita Hayworth lança a moda dos cabelos compridos e cacheados com Gilda (1946), imortalizando um dos vestidos mais clássicos do cinema.
            Em 1950, é lançado o filme O Selvagem (1954), com Marlon Brando como protagonista. Esse filme gera uma febre na Inglaterra por roupas de couro, jeans, motocicletas e rebeldia. No entanto, foi James Dean, com seu Juventude Transviada (1955) que incorporou e imortalizou esse estilo.

James Dean em Juventude Transviada (1955) e Marlon Brando em O Selvagem (1954)



Hepburn & Givenchy — Um capítulo à parte

 Findo os anos 1950, surgiu uma das maiores parcerias do cinema-moda. Audrey Hepburn e Hubert de Givenchy.
Audrey, nascida na Bélgica, filha de nobres pobres, sofreu muito durante as Guerras Mundiais, tendo de sobreviver às duras penas. Anos depois, foi oferecido à ela o papel principal na produção A Princesa e o Plebeu (1953), com Gregory Peck. Seu primeiro papel principal e seu Oscar. O filme contava com um figurino assinado por Edith Head. Audrey se destacou por sua ingenuidade e carisma.
 Pouco depois fez Sabrina (1954), junto a astros como Humphrey Bogart e William Holden, conseguindo outra indicação ao Oscar. Mas Audrey queria fugir dos padrões hollywoodianos, da moça cheia de curvas. Ela era alta, magra, sem curvas e com pés grandes. Ela não se encaixava nesse padrão e Edith Head era conhecida por esconder defeitos. Audrey revoltou-se contra esse modelo e foi a Paris para encontrar um estilista que estava apenas despontando: Givenchy.
Conta-se que quando disseram que Hepburn ia vê-lo, Givenchy pensou ser Katharine Hepburn, e não gostou quando soube que era Audrey. Mas ela insistiu e formou-se a grande parceria entre eles.
Apesar do figurino de Sabrina ser de Givenchy, foi Edith que levou os créditos, conseguindo um de seus Oscars.
O que é conhecido como “o look de Audrey” não procurava esconder nada, mostrava a mulher como ela era.
Talvez, o maior filme que tenha influenciado a moda seja Bonequinha de Luxo (1961), de Blake Edwards, baseado na obra de Truman Capote. Nele é retratada a história da prostituta de luxo Holly Gollitly (Audrey Hepburn – mais uma indicação ao Oscar). Na cena de abertura, a personagem desce de um taxi às seis horas na manhã em frente à loja Tiffany, na Quinta Avenida em Nova York e caminha diante de suas vitrines observando. O que chama a atenção na cena? Simplesmente o maravilhoso vestido trajado por Hepburn e assinado por Givenchy, o clássico tubinho preto, que imortalizou o filme, a atriz e o estilista como um dos maiores ícones da moda. São vários os trajes icônicos utilizados por Audrey em Bonequinha de Luxo: a calça capri com sapatilhas de balé, o vestido rosa, simples, que marca a cintura, a piteira, os óculos escuros gigantes, a tiara de diamantes e os saltos altos.
O filme também foi importante para a sociedade feminina, pois mostrava a mulher solteira que mora sozinha e está muito feliz com isso. Era o personagem nunca antes explorado pelo cinema. Mostrou às mulheres da época que não havia vergonha nenhuma em estar sozinha e ser livre. Ajudou a mudar a imagem que a sociedade tinha de Audrey Hepburn - a clássica princesinha ingênua.
Audrey, depois de um Oscar, cinco indicações, vários abortos, dois casamentos, torna-se uma das primeiras atrizes a fazer trabalhos sociais. Embaixadora da Unicef, dedicou os últimos anos de sua vida a ajudar as crianças carentes de aéreas de risco, como a Etiópia. Morreu de câncer de colo do útero em 1993. Considerada pelo Instituto Americano de Filme a terceira maior lenda do cinema e uma das mais bonitas mulheres do mundo por várias outras enquetes realizadas por diversas revistas, Audrey foi uma estrela que faz muita falta na moda e no cinema.
A parceria entre Givenchy e Audrey é uma das que mais inspira jovens atrizes e fashionistas em todo o mundo.

Vestidos de Sabrina e Bonequinha de Luxo




O cinema sempre lançou peças iconográficas. Como o vestido rosa usado por Marilyn Monroe em Os Homens Preferem as Loiras (1953), mais tarde copiado por Madonna em seu vídeo Material Girl; o vestido branco esvoaçante em O Pecado Mora ao Lado (1955); todos os vestidos usados por Vivien Leigh em ...E O Vento Levou (1939); o vestido usado por Elizabeth Taylor em Gata em Teto de Zinco Quente (1958); o vestido vermelho trajado por Audrey Hepburn em Cinderela em Paris (1957); o preto longo de Rita Hayworth em Gilda (1946) e os balangandãs de Carmen Miranda. É uma lista imensa.
A Era de Ouro de Hollywood acaba em 1960.
Depois dessa Era, a moda de Hollywood não era mais tão glamorosa quanto antes. A moda mais marcante lançada pelo cinema em 1970 foi o visual masculinizado de Diane Keaton em Noivo Neurótico, Noiva Neurótica (1977): paletó, colete, calças largas e gravata. Em 1980, o filme Wall Street - Poder e Cobiça (1987), inspirado nos executivos de Nova York, lança as camisas listradas de punho e gola em cor contrastante, abotoaduras e suspensórios. Vale lembrar, que a moda, depois da década de 1960, passa a ser ditada mais por outras áreas do entretenimento, como a música, por exemplo.
Em 1990, Matrix (1999) e suas continuações foram lançadas nos cinemas, inspirando os visuais futuristas, o preto e os óculos escuros. Os vestidos usados por Kate Winslet em Titanic (1997), também causou alguns impactos na moda, mas nada marcante.
Em 2007, Keira Knightley, em Desejo e Reparação (2007) usou um vestido verde que causou bastante especulação na moda, transformando-se em mais uma veste iconográfica. Em 2011, notou-se a grande utilização, como fantasia das festas de Halloween, o vestido de balé branco e também o preto, com suas respectivas maquiagens, utilizada por Natalie Portman no thriller psicológico Cisne Negro(2010).
Nos últimos anos, a moda lançada pelo cinema talvez seja a do “tapete vermelho”, onde as celebridades buscam por criatividade e inovação, sendo que as vestes, como dito anteriormente, causam tanto furor quanto a premiação.

Bibliografia:
NERO, Cyro del. Com ou Sem a Folha da Parreira: a curiosa história da moda. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2007.

LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

BARNARD, Malcolm. Moda e Comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.

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