segunda-feira, 30 de abril de 2012

A Era do Silêncio

   
   O cinema pode ser dividido em duas eras distintas: a do mudo e a do falado. O cinema falado só veio surgir em 1927, com o clássico "O Cantor de Jazz". Muitos acharam que não ia durar, mas se lembrarmos bem, os inventores do cinema também não acreditaram no cinema como entretenimento. O cinema sempre foi desacreditado. Até hoje, notamos um certo preconceito da Academia contra filmes que tenham tecnologia muito avançada. 
   Mas, até 1927, quem ia ao cinema via pessoas e animais se movimentando, sem sair um único som de suas ações e mesmo assim se maravilhavam e ficavam imersos na história que estava sendo contada. O cinema mudo criou estrelas tão grandes e brilhantes quantos os da era dourada. Vale lembrar que Hollywood ainda estava em construção. Toda a base do cinema seguinte estava ali sendo testada. Já havia filmes com efeitos especiais, coloridos (pintava se o negativo à mão) e outras inovações. Um grande destaque desse período eram as trilhas sonoras. Orquestras muitas vezes performavam ao vivo o tema. Muitas destas trilhas são reverenciados até hoje, como 'Smile' em "Tempos Modernos" e a 'Odessa Steps' de "O Encouraçado Potemkin". 
   Com o advento do cinema falado tudo mudou, especialmente no tocante aos atores e atrizes. Um filme referência sobre a queda do cinema mudo é "Cantando na Chuva". Nele apresenta os três tipos derivados do mudo:  o galã que sobrevive e faz sucesso nos dois tipos de cinema, como Greta Garbo, por exemplo; o que encontra seu declínio junto com o advento do falado, como John Gilbert (sejam por razões técnicas ou por não se adaptarem); e por fim aquele que começou no mudo mas encontrou sua glória no falado, Gary Cooper.
   O objetivo deste post é homenagear aqueles cujas glórias são do tempo do silêncio. Como toda lista é injusta, tentei colocar os mais conhecidos do grande público em cada categoria: ator, atriz, diretor e filmes. 

-A lista não tem nenhuma ordem especial. 

-Os filmes relacionados são de domínio público. Para assistir online clique no nome do mesmo.


ATRIZES

   As atrizes... sempre esperamos que sejam lindas e talentosas. Estas não deixam nada a desejar. Foram figuras influentes, atuaram, e algumas fizeram mais que isso: dirigiram, empreenderam, roteirizaram, lutaram pelos direitos das mulheres e estão eternas nos corações dos cinéfilos. Foi difícil escolher apenas cinco, pois muitas "foram daqui para a eternidade", no entanto gostaria de fazer menção honrosa para Dorothy Gish, Gloria Swason, Pola Negri, Marion Davis, Olive Thomas, Norma Talmadge e Louise Glaum.





Lillian Gish (1893-1993)


Com Dorothy Gish, à direita
A atriz com a mais longa carreira da história: 75 anos! Indicada por Mary Pickford, foi descoberta por DW Griffith em 1912,  e acabou por estrelar vários dos filmes do diretor, alguns deles com sua irmã, a também atriz, Dorothy Gish. Seus personagens eram mulheres ternas e recatadas. Sua carreira entrou em declínio quando as vamps, mulheres sedutoras e fatais entraram na moda. Vinha do teatro, portanto, dedicou-se novamente a ele. Foi uma das primeiras mulheres a dirigir um filme. Fez algumas participações no cinema nos anos seguintes, a mais lembrada em "Duelo ao Sol", de 1946, atuação que foi indicada ao Oscar. Com mais de cem filmes no currículo, ocupa a décima sétima posição na lista do American Film Institute das 50 estrelas mais importantes do cinema.


Assista no Youtube Orphans Of Storm




Mary Pickford (1892-1972)


   Produtora e atriz, Mary, também conhecida como America's Sweetheart, Little Mary ou The Girl With The Golden Hair, ajudou a fundar a United Artists ao lado de Chaplin, Griffith e Fairbanks, este último seu segundo marido. Em 1918 se tornou a atriz mais bem paga do cinema americano. Foi a segunda atriz a ganhar um Oscar, em 1930, com seu primeiro filme falado. Ironicamente, foi quando seus fãs a abandonaram: no filme ("Coquette") Mary teve que se livrar dos cachos que a caracterizavam. Seu cabelo representava a força feminista da época. No fim de sua carreira a atriz se tornou reclusa e acabou virando alcoólatra, recebendo visitas de poucas pessoas, entre elas seu enteado Douglas Fairbanks Jr. e Lillian Gish. No entanto, sua contribuição ao cinema é inegável: ela participou de mais de 200 filmes mudos. Ela é considerada a 24ª maior estrela do cinema em lista compilada pelo American Film Institute. 

Assista no Youtube Cinderella




Louise Brooks (1906-1985)


    Dançarina, atriz e modelo, a carreira de Louise não foi tão prolífica quanto das outras atrizes listadas: apenas 24 filmes. Lançou moda nos anos vinte com seu cabelo curto e liso, em contraponto com os cachos de Lillian Gish e Mary Pickford. Dona de um forte temperamento,  chegou a brigar com a Paramont, coisa impensável para o tempo, já que esses se consideravam donos dos atores. No entanto, tal briga fez bem a carreira de Louise: ela foi à Alemanha e com GW Pabst realizou o filme mais marcante de sua carreira "A Caixa de Pandora". De volta à Hollywood, no começo da era falada, recusou um projeto da Paramount, então esta espalhou que a atriz tinha voz horrível. Tal comentário teve tamanha repercussão que acabou por destruir a carreira de Louise no cinema. Nos anos seguintes, Brooks teve várias profissões chegando a virar vendedora.  

Assista no Youtube Pandora's Box




Theda Bara (1885-1955)


   Apenas seis de seus filmes chegaram completos até nossos dias, mesmo tendo participado de mais de quarenta. Theda se popularizou como a mulher sedutora e fatal, recebendo, por isso, a alcunha de vamp. Tal estereótipo a impediu, mesmo querendo, de interpretar outros tipos de personagens nos filmes. A maior película de que participou foi "Cleópatra" , de 1917, só que, infelizmente, não existe nenhuma cópia completa deste, apenas poucos segundos foi preservado. O motivo de tantos filmes de Theda Bara terem desparecido foi um incêndio que atingiu a Fox em 1937, destruindo a maior parte dos filmes do estúdio. É considerada a primeira sex symbol do cinema. Em vários de seus filmes aparece em trajes transparentes. Os estúdios promoviam sua imagem como a mais exótica possível, descreviam que havia nascido no Egito, filha de pais italianos e todo tipo de elementos exóticos, sendo que Theda jamais estivera nos tais lugares em que costumavam colocá-la. Sua carreira começou a decair quando em 1921 se casou com o diretor britânico Charles Brabin, que não considerava apropriado que sua esposa mantivesse uma carreira. O Chicago  International Film Festival tem a imagem Theda Bara como símbolo.


Assista no Google Videos A Fool There Was




Clara Bow (1905-1965)


   Clara é considerada a primeira It Girl do cinema, ou seja, a garota que tinha "aquilo", algo inexplicável, mas que atraia as pessoas. Tal título veio após estrelar o filme "It", de 1927 . Sua carreira iniciou quando, participando de um concurso, ganhou um pequeno papel no filme "Beyond The Rainbow". Sua carreira foi marcada por escândalos sexuais e de alcoolismo, tanto que os estúdios começaram a por em seu contrato uma "cláusula de moralidade", para que essa se comportasse decentemente. Protagonizou o primeiro filme vencedor do Oscar, "Asas" (1927). Sua jornada no cinema desmoronou na vinda do cinema falado, pois sua voz não era lá essas coisas, e também devido a problemas mentais, genéticos. Clara Bow foi diagnosticada com esquizofrenia, tentou se suicidar algumas vezes e acabou vítima de um ataque cardíaco.


Assista no Youtube It






ATORES


   Geralmente personificam a figura do Príncipe Encantado, elegantes, talentosos, fazem rir, lutam... Os atores do cinema mudo faziam quase de tudo. Muitos deles dirigiam seus próprios filmes, tanto que ficou até difícil separar as categorias de ator e diretor. Menção Honrosa: Harold Lloyd, Erich Von Stronhein, Harry Langdon, Oliver Hardy e Stan Laurel.



Charles Chaplin (1889-1977)


   Provavelmente o mais conhecido dos artistas daquele tempo. Chaplin escrevia, atuava e dirigia seus filmes. Foi um dos fundadores da United Artists. Se caracterizou nas comédias, especialmente com o "vagabundo", seu personagem mais conhecido. Cartola, bengala e bigode, esta é a imagem pela qual todos o conhecem. 
   Compôs uma das mais famosas músicas da grande tela: 'Smile', que é tocada no final de "Tempos Modernos". Resistiu bravamente ao cinema falado. No primeiro em que utilizou a "nova" tecnologia, "O Grande General" fez uma crítica feroz à Hitler e ao regime nazista. 
   Chaplin participou de alguns escândalos, incluindo um envolvendo uma garota menor de idade. Em 1975 foi feito cavaleiro pela Majestade Elizabeth II. O Oscar Honorário que recebeu em 1972 recebeu a maior ovação da história da premiação. 

Assista no Youtube The Kid



Buster Keaton (1895-1966)
   
   Considerado o grande rival de Charles Chaplin, Buster Keaton se caracterizou com personagens que não apresentam reação perante fatos ocorridos, fazendo-o ficar conhecido como O Homem Que Nunca Ri. Diretor, roteirista e ator, Keaton se expunha a acidentes todo o tempo, já que realizava várias cenas arriscadas. Ao assinar contrato com a MGM, entra em declínio, pois perde o controle criativo sobre seus trabalhos, tornando-o vítima do alcoolismo. 
   Em "The Playhouse"(1921), Buster investe em efeitos especiais e faz todos os papéis através de exposições múltiplas. Aquele que é considerado seu maior filme , "A General" (1926), não fez sucesso e acabou sendo seu maior fracasso. 

Assista no Youtube Our Hospitality



Douglas Fairbanks (1883-1939)


   Douglas Fairbanks, ex-marido de Mary Pickford, pai do ator Douglas Fairbanks Jr., co-fundador da United Artists e apresentador da primeira premiação do Oscar ao lado de William C. deMille, foi diretor, escritor, produtor e ator.  Devido ao seu porte atlético, notabilizou-se ao interpretar heróis de capa e espada. Também foi o primeiro a interpretar o herói latino Zorro em "A Marca do Zorro" (1920).
   Foi descoberto no teatro por DW Griffith e se tornou um dos atores mais populares dos anos vinte. No entanto não resistiu ao advento do cinema falado. EM 1934 anunciou sua aposentadoria, vindo a falecer apenas cinco anos depois.

Assista no Youtube The Mark Of Zorro



John Gilbert (1897-1936)


   Era conhecido como o grande amante e rivalizava com Rodolfo Valentino nas bilheterias. Também ficou muito conhecido pelo affair que teve com Greta Garbo, sendo que muitas histórias a respeito dos dois circulavam pelo público, muitas sem veracidade. Com Greta Garbo estrelou vários filmes, sendo o mais conhecido "The flesh and the devil" (1926). Também é lembrado como uma das grandes vítimas do cinema falado, existem rumores de que sua voz era inadequada. No entanto são especulações, pois John teve uma discussão com o chefão do estúdio Louis B. Mayer e acabou por ser dispensado quando exigiu um salário maior. Seu público esperava ansiosamente para ver o "romântico" falando nas telas, no entanto quando estreou "His Glorious Night" (1929) o público caiu na gargalhada. Não porque a voz era ruim, mas devido à atuação e  roteiro exagerados. Esta cena foi parodiada em "Cantando na Chuva" (1952) onde aparece as cenas do primeiro filme falado do protagonista, repetindo 'eu te amo' inúmeras vezes.

Assista no Youtube His Glorious Night




Rodolfo Valentino (1895-1926)


   Primeiro símbolo sexual fabricado por Hollywood, O Amante Latino. Era italiano radicado nos Estados Unidos. Era dançarino, qualidade que o ajudou a conquistar papéis. Sua ascendência latina era o contraponto dos artistas da época, rivalizando com os 'brancos' Douglas Fairbanks e John Gilbert. Interpretando personagens de origem espanhola ou árabe e completamente sedutores. 
   A população masculina invejava Fairbanks, mas a mulherada almejava Valentino. Seu tipo levemente afeminado e andrógino levava  a especular sobre sua sexualidade. Durante seus últimos dias relacionou-se com a atriz Pola Negri, que diz a lenda que quando Valentino morreu essa fez uma cena no funeral dizendo que haviam se casado, fato não comprovado. Há várias lendas que cercam a morte do ator: uma delas diz que quando este faleceu várias mulheres se suicidaram. 


Assista no Youtube The Sheik





DIRETORES


   Muitos diretores atuaram e muitos atores dirigiram. Portanto na seleção abaixo estão aqueles que se dedicaram exclusivamente à direção, com exceção de George Mèlies. No entanto, não poderia deixar de citar alguns do que atuavam e dirigiam como Charlie Chaplin, Buster Keaton, Erich Von Stronheim, Mabel Normand e Lillian Gish. Menção honrosa para Ernst Lubinsk e Mário Peixoto.
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D W Griffith (1875-1948)


   David Llewelyn Griffith, mais conhecido como DW Griffith, é considerado o pai da linguagem cinematográfica. É o primeiro a utilizar closes , flashbacks e movimentos de câmera. Dirigiu o primeiro longa estadunidense "Judith Of Bethulia". Seu "O Nascimento de Uma Nação" (1915) foi o primeiro filme a utilizar uma narrativa complexa e detalhada. Sua musa era Lillian Gish, esta tendo participando se grande parte de seus filmes. Apesar de ser um dos melhores cineastas jamais vistos era racista e partidário da Klux Klux Khan, tendo enfrentado vários conflitos políticos, mesmo sendo um grande defensor dos nativos americanos. É um dos diretores mais prolíficos da história, dirigiu mais de 500 filmes e grande parte ainda está conservada.


Assista no Youtube Intolerance




F W Murnau (1888-1931)


   Friedrich Wilhelm Murnau foi um dos mais importantes diretores do expressionismo alemão. Dirigiu apenas 21 filmes e grande parte deles foi perdida. Dirigiu a atuação da primeira ganhadora do Oscar, Janet Gaynor, em "Aurora" (1927). 
   Era dono de vasta cultura, tendo conhecimento em literatura, artes e música. É o criador do clássico cult "Nosferatu"(1922), segundo Lauren Bacall "isso sim é filme de vampiro". Convidado para dirigir em Hollywood, chegou a realizar quatro filmes, no entanto, logo rompeu com os estúdios e partiu para dirigir seu último filme "Tabu"(1931), que estreou postumamente, pois Murnau veio a falecer em um acidente aéreo.


Assista no Youtube Der letzte Mann




Fritz Lang (1890-1976)


   Austríaco, dividiu sua carreira entre a Alemanha e Hollywood. Sua carreira é dividida em duas fases, a do expressionismo alemão, onde dirigiu os maiores clássicos de sua carreira "Metropolis"(1927) e "M"(1931); e a fase americana, que a crítica, acostumada a engrandecer seus filmes acabaram por subestimar os produzidos em território americano. 
   Em 1921, Lang casou-se com Thea Van Harbou, que escreveu a maior parte dos argumentos de seus filmes alemãos, no entanto, quando Adolf Hitler, que havia se tornado fã ao assistir "Metropolis", convidou-os para produzir filmes para o nazismo, Lang declinou o convite enquanto que Thea aceitou, causando o divórcio e a vinda de Fritz Lang para os Estados Unidos.


Assista no Youtube Das Testament des Dr. Mabuse




Serguei Eisenstein (1898-1948)


   Participante ativo da Revolução Russa, ao lado do Partido Vermelho, Eisenstein foi um dos mais importantes cineastas soviéticos. Foi o criador de um novo tipo de montagem, a montagem dialética. Foi um grande critico do governo Stálin, pois não concordava com os ideais comunista desse. Dirigiu aquele que é considerado junto com "Cidadão Kane"(19441)  um dos maiores filmes do mundo "O Encouraçado Potemkin" (1925). 
   Sua carreira em Hollywood não deu certo, então voltou para a Rússia, onde foi contratado para filmar uma propaganda anti-nazista. Depois investiu em "Ivan, O Terrível", que seria filmado em três partes, no entanto somente as duas primeiras foram finalizadas, tendo o cineasta morrido três anos após o lançamento da segunda parte.  

Assista no Youtube Oktober




Georges Méliès


   Georges Méliès merecia um post inteiramente dedicado à ele. Um dia, quem sabe. Sua contribuição ao cinema é inegável. Méliès estava presente quando os irmãos Lumière exibiram o primeiro filme. Era ilusionista, por isso logo se apaixonou e se dedicou em fazer cinema. Era o maior cineasta da década de 1910. Vários dos diretores que vieram a seguir eram seus admiradores. Considerado o pai dos efeitos especiais, dirigiu, atuou e roteirizou mais de 500 filmes, grande parte perdida. 
   Os efeitos criados pelo ilusionista são alguns dos mais fundamentais na arte de fazer cinema: ele descobriu que se parasse a câmera por alguns instantes e movesse ou mudasse aquilo que estava sendo filmado e depois começasse a rodar novamente, poderia transformar em outros objetos. Essa técnica é chamada de stop-motion. No ano passado, Méliès recebeu uma linda homenagem do diretor Martin Scorsese em "Hugo".


Assista no Youtube Cendrillon





VOCÊS NÃO OUVIRAM NADA AINDA!


10 DOS MAIORES FILMES MUDOS


  Esta é apenas uma compilação de alguns daqueles que são considerados os maiores já produzidos pelo cinema mudo.  Menção Honrosa: O Fantasma da Ópera, O Gabinete do Doutor Caligari, Outubro, Intolerância, Tempos Modernos, As Leis da Hospitalidade, A Caixa de Pandora, Órfãos da Tempestade, O Grande Roubo do Trem,  Os Vampiros, Intolerância, Lírio Partido, Inocente Pecadora,  A Carruagem Fantasma, Sherlock Jr. e O Ladrão de Bagdá.



A General


   "A General" (1926) é considerado o melhor filme de Buster Keaton. Foi o filme mais caro  já produzido pelo ator. Buster aqui interpreta um maquinista apaixonado por sua locomotiva,  A General e por Annabelle. Por não ser aceito no exército quando a Guerra Civil começa, a amada passa a considerá-lo um covarde. Entretanto sua máquina e a moça são raptados e ele tem que lutar para salvá-los das mãos dos bandidos.




O Encouraçado Potemkin


   "O Encouraçado Potemkin" (1925) conta a história real da rebelião dos tripulantes do navio Potemkin que foi um dos pontos chaves para a Revolução Russa. O filme apresenta uma das cenas mais famosas do cinema, quando um carrinho de bebê vai rolando a escadaria.  Realizado por Seguei Enseistein o filme apresenta diversas técnicas, como a utilização de ideogramas orientais para descrever ideias complexas.




O Nascimento de Uma Nação


   O filme de 1915 foi o primeiro longa americano a ter uma narrativa complexa. Estrelado por Lillian Gish e dirigido por DW Griffith, o filme é considerado racista pois retrata os membros da Klux Klux Khan como heróis. Na época de seu lançamento foi tentado censurá-lo, mas como era muito popular, apenas as cenas mais fortes foram omitidas. 
   A história é sobre a vida de duas famílias durante a Guerra Civil: uma pró norte e outra pró sul. Era usado até  os anos 1970 pela KKK para recrutar membros e foi muito utilizado com ferramenta pelo grupo. Foi o primeiro filme exibido na Casa Branca.




Viagem à Lua


   De 1902, foi o primeiro filme de ficção científica e o mais popular de Méliès. Existe uma versão colorida à mão. O curta é uma adaptação de "Viagem à Lua" de Júlio Verne e "Os Primeiros Homens na Lua" de HG Wells. O filme retrata sobre cinco astrônomos que entram em uma capsula e são enviados à lua e lá tem de se defender dos habitantes dali.




Luzes da Cidade


   "Luzes da Cidade" (1931) foi considerada pelo American Film Institute a maior comédia romântica já produzida e está presente em todas as listas importantes de melhores filmes. O enredo gira em torno do Vagabundo que conhece uma pobre garota cega que o confunde com um milionário e para não desapontá-la ele desempenha o papel. Mesmo tendo sido lançado na era do cinema falado o longa fez um grande sucesso de público.




Aurora


   "Aurora" (1927) conta a história de um homem casado que se envolve com uma mulher da cidade e esta influencia para que mate a esposa. Este foi o primeiro filme americano de Murnau e foi pelo qual Janet Gaylor levou seu Oscar. Foi inovador ao não nomear os personagens, referindo-se a eles apenas como o marido, a esposa  e assim por diante. 





Nosferatu


   Baseado no "Drácula" de Bram Stoker, Murnau teve que mudar o roteiro pois não conseguiu os direitos relativos ao livro. Um agente imobiliário resolve vender uma propriedade a um conde, que acaba por ser um vampiro. O conde traz o terror para o lugar e a única que pode ajudar a salvar as pessoas é a noiva do vendedor, já que o vampiro sente-se atraído por ela.




Limite


   "Limite" (1931) de Mário Peixoto é o mudo clássico brasileiro. Em seu lançamento ganhou dimensões internacionais, sendo elogiado por Serguei Enseistein. Aborda a questão do drama existencial. Duas mulheres e um homens estão sentados em um barco em meio ao oceano e vão desfiando suas histórias.




Metropólis


   Quem imaginaria que já no inicio do século XX haveria filmes com robôs e bem futurísticos?O filme se passa no século XXI e relata a mecanização dos processos humanos. Um grande magnata detém o poder da cidade onde seus protegidos vivem em conforto. Paralelamente, os operários sofrem com a fome e são oprimidos pelas máquinas. Uma jovem se levanta e começa a discusar para os trabalhadores reivindicarem seus direitos.




Asas


   Por que "Asas" (1927) está listado? Simplesmente porque foi o primeiro filme a ganhar o prêmio máximo da Academia e por sido o único mudo a receber tal honraria até "O Artista" levar o Oscar de Melhor filme de 2011, 83 anos depois.      "Asas" também foi o primeiro filme que exibiu dois homens se beijando, no rosto, quando um estava a beira da morte e de forma não sexual e não erótica (fala sério, censura!)
   Asas conta a história de dois pilotos da Primeira Guerra que lutam pelo amor de uma mulher. 


Tributo

Lindo este vídeo tributo que o canal bubblewrap1988 fez sobre o cinema mudo.



sábado, 28 de abril de 2012

Divas do cinema

via costumereference.tumblr.com

Jean Arthur, Clara Bow, Jean Harlow e Leon Lane no The Saturday Night Kid

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Édith e Marlene

Via  Istoe.com.br

Piaf com a amiga Marlene Dietrich: segundo a atriz, ela se achava feia
e insegura, mas tinha um charme ao qual os homens não resistiam

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Edith Piaf Part I - Biografia



      Conheci Edith Piaf através de Marion Cottilard em Piaf-Um Hino de Amor (a cinebiografia de Edith Piaf-2007) e me apaixonei por "La Vie En Rose" através de Audrey Hepburn em Sabrina. Após ver esses trabalhos fiquei encantada e fui procurar quem era a tal. Sua história é incrível, por isso resolvi reproduzir aqui para aqueles que também são fãs. Encontrei uma enorme dificuldade em achar fotos da verdadeira Edith devido a sempre confundi-la com a personagem de Marion Cotillard. Se vocês verem a Marion por ai, é por que eu não consegui distingui-las.
           O post será dividido em dois: um resumo sobre sua vida e o outro focado em sua carreira.




     Edith Piaf foi uma cantora francesa, nascida em Paris em 1915 com o nome de Édith Giovanna Gassion.  O bairro onde nasceu era pobre, bairro de imigrantes. Sua mãe era ítalo-cabila e cantava em ruas, enquanto seu pai trabalhava em circos como contorcionista. Por um tempo, durante a infância, Edith foi criada pela avó materna. Depois, seu pai, em retorno da guerra, levou-a enferma para a casa de avó paterna, para que esta a criasse. 
Édith
     Sua avó paterna trabalhava em um bordel, por isso Edith teve bastante contato com prostitutas e clientes. Isso ocasionou um impacto na personalidade da garota.
        Com sete ou oito anos, perdeu a visão em razão de uma doença chamada queratite. Edith resolveu ir até ao túmulo de Santa Teresa e pediu que esta a curasse. A doença somiu poucos dias depois, tornando Edith uma devota da santa.
         Quando a Primeira Guerra acabou, o pai de Edith retornou e ela passou a viver com ele. Ele retomou seu trabalho nos circos e a garota o acompanhou. Logo Edith começa a demonstrar seu talento nas ruas de Paris.
       Aos dezessete, Louis Dupont apareceu na vida da menina e se apaixonaram. Juntos tiveram uma filha, chamada Marcelle, que faleceu com apenas dois anos vítima da meningite.
Juventude
         Em 1935, Louis Leplée dono do cabaré Le Gerny's  inicia Edith na carreira de cantora. Ele a  tinha ouvido cantar nas ruas e a convidou para um teste. Imediatamente contratada, foi batizada de La Mome Piaf (Pequeno Pardal, devido à sua baixa estatura). Leplée instruiu e construiu a imagem de Piaf: ensinou-a a se portar no palco e escolheu o look pela qual ficou registrada, o clássico vestido preto.
         Apesar do sucesso que se tornou, logo sua vida entrou em declínio quando seu mentor foi encontrado morto, e ela foi considerada suspeita de assassinato. Com a elite que havia assistido Edith cantar virando-lhe as costas, a moça voltou aos bairros onde fora criada.
           Edith perdeu seus pais com apenas um ano de diferença, em 1944 é seu pai e um ano depois, sua mãe.
          Com o fim da Segunda Grande Guerra, Edith consagrou-se novamente: virou musa dos grandes intelectuais, tornando-se a grande dama da música francesa. Um ano depois, viajou a Nova York, onde conheceu o amor de sua vida: Marcel Cerdan, boxeador. No entanto o romance durou pouco, pois em 1949, o avião em que estava Cerdan caiu, fato que levou Edith a depressão e fê-la viciada em tranquilizantes.





Com seu marido Theo Saparo

Com Marcel Cerdan
            Durante os anos 50, Piaf colaborou com vários artistas e participou de vários concertos em Nova York. Em 1952 casou-se Jacques Pills divorciando-se quatro anos depois. Em 1958 sofreu um acidente de carro, que a deixou deformada e viciou-a em morfina. No fim da década, em 1959, descobriu que tinha câncer. Viveu seus últimos anos ao lado do segundo marido Theo Saparo até quando veio a falecer em Provence, 1963. Seu cortejo foi um dos mais assistidos na França, sendo acompanhada por mais de 40 mil pessoas. 







quinta-feira, 5 de abril de 2012

Olivia e a Decisão de Havilland



Olivia de Havilland obteve em sua carreira importantes conquistas: é a feliz ganhadora de dois Oscars de atuação e foi uma das poucas atrizes que conseguiu se dar bem com Bette Davis. Mas sua maior conquista afetou toda a indústria cinematográfica: a Decisão de Havilland ou a Lei de Havilland.

Olivia de Havilland

     Olivia de Havilland é uma atriz de pais ingleses nascida no Japão em 1916. Quando seus pais se divorciaram em 1919 mudou-se com a mãe Lillian e a irmã caçula Joan de Havilland (atriz, mais tarde Fontaine) para a Califórnia, nos Estados Unidos.

Com Joan Fontaine (direita)
(via classichollywoodforever.tumblr.com)





     Descoberta aos 19 anos por Max Reinhardt, participou do filme "Sonhos de Uma Noite de Verão" (1935), peça da qual já havia interpretado na escola. Por seu trabalho assinou um contrato de sete anos com a Warner Bros. Sua primeira indicação ao Oscar veio em 1939 pelo seu trabalho como Melanie Wilkins em "...E O Vento Levou". Obteve mais quatro indicações ao longo da carreira e foi agraciada em 1946 por "Só Resta uma Lágrima" e em 1949 por "Tarde Demais". Disputou prêmios e papéis com sua irmã e eterna rival Joan Fontaine, mas aí já é outra história.
Com Errol Flynn em
As Aventuras de Robin Hood (1938)
      Sua maior parceria no cinema foi ao lado de Errol Flynn, com qual contracenou em oito filmes. De Havilland nunca contracenou com a irmã, Joan. De fato, com esta, protagonizou uma das maiores brigas de Hollywood.
     Durante sua trajetória, Olivia, acostumou-se a interpretar garotas ingênuas e doces, as clássicas mocinhas. No entanto, a atriz queria mostrar que podia interpretar outros tipos de personagens, mas os estúdios continuavam obrigando-a a aceitar papéis repetidos, fato que a levou a processar a Warner. 
      Olivia casou-se duas vezes e deu à luz duas crianças. Hoje, aos 96 anos, vive em Paris na França. Olivia e sua irmã são uma das poucas atrizes de 1930 que ainda estão vivas.

Em Só resta uma lágrima (1946)
Alguns filmes:

Aeroporto 77 (1976)
Com a maldade na alma (1964)
Eu te matarei, querida (1952)
Tarde Demais (1949) 
Na cova das serpentes (1948)
Só resta uma lágrima (1946)
Assim é que elas gostam (1942)
A porta de ouro (1941)
...E o vento levou (1939)
As aventuras de Robin Hood (1938)








A Decisão de Havilland 

    A Decisão de Havilland ou Lei de Havilland, como é conhecida, é o nome de uma lei da Califórnia que impede a aplicação de um contrato de serviços exclusivos além do prazo de sete anos, contados a partir do início do serviço prestado.
   Em Hollywood quando um artista se recusava a aceitar os papéis a ele oferecidos, o estúdio o "suspendia" como forma de punição e esse período de suspenção não contava como parte do contrato. O que ocasionava de vários artistas ficarem sob o controle do estúdio a um prazo superior ao estipulado. 
   Como já foi dito anteriormente, Olivia de Havilland não queria mais interpretar os papéis que eram relegados à ela, por isso, a Warner Bros. a puniu com a suspensão. Em 23 de agosto de 1943, a atriz entrou com uma ação contra  o estúdio. A ação foi apoiada pelo Screen Actors Guild. 
     A decisão da Corte da Califórnia veio em 08 de dezembro de 1944 a favor de Havilland. A justiça considerou que os sete anos estipulados em contrato contava-se sete anos do calendário, e não sete anos que o artista trabalhou. A decisão também dizia que o tempo máximo de validade do acordo eram sete anos a partir da assinatura. Sendo assim, o contrato de Olivia na Warner já havia expirado e ela estava livre para buscar outros projetos que fossem de seu agrado.
    A vitória de Havilland reduziu o poder dos estúdios e deu mais liberdade criativa aos artistas. Foi uma das decisões mais importantes para a história de Hollywood e, por ter sido Olivia de Havilland quem iniciou o processo, a lei é conhecida informalmente como A Decisão de Havilland ou Lei de Havilland. 
    Embora os atores tenham gostado da liberdade que tem até hoje em seus projetos, os artistas da música não o tem.
     Em 2008 o grupo 30 Seconds To Mars foi processado pela gravadora EMI. Esta alegava que a banda não havia cumprido todos as exigencias do contrato, na qual constava que deveriam lançar três discos pelo selo. O 30 Seconds To Mars havia lançado até o momento apenas dois: "30 Seconds To Mars" e "A Beautiful Lie". A EMI exigia do grupo a quantia de 30 milhões de dólares.
     O grupo havia sido contratado em 1999 pelo período de nove anos. Só que a lei diz que um contrato de exclusividade é válido apenas por sete anos. A banda manteve sua parte no contrato, apesar de legalmente ter expirado há dois anos. No entanto, por divergências com os novos administradores da companhia, resolveram deixar a gravadora, foi aí que esta iniciou o processo. 
     Sobre o processo, em comunicado oficial, Jared Leto, líder da banda, se pronunciou:
"Sim, estamos sendo processados pela EMI. Mas não por não entregarmos músicas ou por ‘desistir’. Nós estamos sendo processados pela empresa simplesmente porque 45 dias atrás nós exercemos nosso direito legal de terminar nosso contrato velho e fora de validade que, segundo a lei, é nulo e sem força legal"
     A ação foi cancelada em abril e o 30 Seconds To Mars assinou um novo acordo com a gravadora. No processo a banda conseguiu o apoio de nada menos que Olivia de Havilland. 

     Vários artistas devem sua liberdade à coragem de Olivia. No entanto, ao longo dos anos ainda houveram outros processos similares contra as grandes corporações por abuso. Alguns obtiveram vitória, outros não, mas não duvidemos que o caso de Olivia abriu precedentes para que outros conseguisem. A Lei tem tamanha repercursão que muitas empresas estão buscando assinar contrato fora da Califórnia, onde a lei é aplicada.



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