quinta-feira, 5 de abril de 2012

Olivia e a Decisão de Havilland



Olivia de Havilland obteve em sua carreira importantes conquistas: é a feliz ganhadora de dois Oscars de atuação e foi uma das poucas atrizes que conseguiu se dar bem com Bette Davis. Mas sua maior conquista afetou toda a indústria cinematográfica: a Decisão de Havilland ou a Lei de Havilland.

Olivia de Havilland

     Olivia de Havilland é uma atriz de pais ingleses nascida no Japão em 1916. Quando seus pais se divorciaram em 1919 mudou-se com a mãe Lillian e a irmã caçula Joan de Havilland (atriz, mais tarde Fontaine) para a Califórnia, nos Estados Unidos.

Com Joan Fontaine (direita)
(via classichollywoodforever.tumblr.com)





     Descoberta aos 19 anos por Max Reinhardt, participou do filme "Sonhos de Uma Noite de Verão" (1935), peça da qual já havia interpretado na escola. Por seu trabalho assinou um contrato de sete anos com a Warner Bros. Sua primeira indicação ao Oscar veio em 1939 pelo seu trabalho como Melanie Wilkins em "...E O Vento Levou". Obteve mais quatro indicações ao longo da carreira e foi agraciada em 1946 por "Só Resta uma Lágrima" e em 1949 por "Tarde Demais". Disputou prêmios e papéis com sua irmã e eterna rival Joan Fontaine, mas aí já é outra história.
Com Errol Flynn em
As Aventuras de Robin Hood (1938)
      Sua maior parceria no cinema foi ao lado de Errol Flynn, com qual contracenou em oito filmes. De Havilland nunca contracenou com a irmã, Joan. De fato, com esta, protagonizou uma das maiores brigas de Hollywood.
     Durante sua trajetória, Olivia, acostumou-se a interpretar garotas ingênuas e doces, as clássicas mocinhas. No entanto, a atriz queria mostrar que podia interpretar outros tipos de personagens, mas os estúdios continuavam obrigando-a a aceitar papéis repetidos, fato que a levou a processar a Warner. 
      Olivia casou-se duas vezes e deu à luz duas crianças. Hoje, aos 96 anos, vive em Paris na França. Olivia e sua irmã são uma das poucas atrizes de 1930 que ainda estão vivas.

Em Só resta uma lágrima (1946)
Alguns filmes:

Aeroporto 77 (1976)
Com a maldade na alma (1964)
Eu te matarei, querida (1952)
Tarde Demais (1949) 
Na cova das serpentes (1948)
Só resta uma lágrima (1946)
Assim é que elas gostam (1942)
A porta de ouro (1941)
...E o vento levou (1939)
As aventuras de Robin Hood (1938)








A Decisão de Havilland 

    A Decisão de Havilland ou Lei de Havilland, como é conhecida, é o nome de uma lei da Califórnia que impede a aplicação de um contrato de serviços exclusivos além do prazo de sete anos, contados a partir do início do serviço prestado.
   Em Hollywood quando um artista se recusava a aceitar os papéis a ele oferecidos, o estúdio o "suspendia" como forma de punição e esse período de suspenção não contava como parte do contrato. O que ocasionava de vários artistas ficarem sob o controle do estúdio a um prazo superior ao estipulado. 
   Como já foi dito anteriormente, Olivia de Havilland não queria mais interpretar os papéis que eram relegados à ela, por isso, a Warner Bros. a puniu com a suspensão. Em 23 de agosto de 1943, a atriz entrou com uma ação contra  o estúdio. A ação foi apoiada pelo Screen Actors Guild. 
     A decisão da Corte da Califórnia veio em 08 de dezembro de 1944 a favor de Havilland. A justiça considerou que os sete anos estipulados em contrato contava-se sete anos do calendário, e não sete anos que o artista trabalhou. A decisão também dizia que o tempo máximo de validade do acordo eram sete anos a partir da assinatura. Sendo assim, o contrato de Olivia na Warner já havia expirado e ela estava livre para buscar outros projetos que fossem de seu agrado.
    A vitória de Havilland reduziu o poder dos estúdios e deu mais liberdade criativa aos artistas. Foi uma das decisões mais importantes para a história de Hollywood e, por ter sido Olivia de Havilland quem iniciou o processo, a lei é conhecida informalmente como A Decisão de Havilland ou Lei de Havilland. 
    Embora os atores tenham gostado da liberdade que tem até hoje em seus projetos, os artistas da música não o tem.
     Em 2008 o grupo 30 Seconds To Mars foi processado pela gravadora EMI. Esta alegava que a banda não havia cumprido todos as exigencias do contrato, na qual constava que deveriam lançar três discos pelo selo. O 30 Seconds To Mars havia lançado até o momento apenas dois: "30 Seconds To Mars" e "A Beautiful Lie". A EMI exigia do grupo a quantia de 30 milhões de dólares.
     O grupo havia sido contratado em 1999 pelo período de nove anos. Só que a lei diz que um contrato de exclusividade é válido apenas por sete anos. A banda manteve sua parte no contrato, apesar de legalmente ter expirado há dois anos. No entanto, por divergências com os novos administradores da companhia, resolveram deixar a gravadora, foi aí que esta iniciou o processo. 
     Sobre o processo, em comunicado oficial, Jared Leto, líder da banda, se pronunciou:
"Sim, estamos sendo processados pela EMI. Mas não por não entregarmos músicas ou por ‘desistir’. Nós estamos sendo processados pela empresa simplesmente porque 45 dias atrás nós exercemos nosso direito legal de terminar nosso contrato velho e fora de validade que, segundo a lei, é nulo e sem força legal"
     A ação foi cancelada em abril e o 30 Seconds To Mars assinou um novo acordo com a gravadora. No processo a banda conseguiu o apoio de nada menos que Olivia de Havilland. 

     Vários artistas devem sua liberdade à coragem de Olivia. No entanto, ao longo dos anos ainda houveram outros processos similares contra as grandes corporações por abuso. Alguns obtiveram vitória, outros não, mas não duvidemos que o caso de Olivia abriu precedentes para que outros conseguisem. A Lei tem tamanha repercursão que muitas empresas estão buscando assinar contrato fora da Califórnia, onde a lei é aplicada.



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