quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Último Comando (1928)

Este filme do diretor alemão Josef von Sternberg sobre a Rússia czarista rendeu a Emil Jannings o primeiro Oscar de atuação da história da Academia, em 1929. Com roteiro de John F. Goodrich e Herman J. Mankiewicz, ainda contava no elenco com um jovem William Powell.

"O Último Comando" é sobre as pessoas que lutaram contra a revolução russa. O longa é baseado na vida do general Lodijensly que após escapar da Rússia revolucionária foi para Hollywood trabalhar como figurante. 

Sinopse (pode conter spoilers): No início do filme estamos em Hollywood, onde um diretor russo (William Powell) está selecionando pessoas para o próximo projeto que fará, que tem como tema a Revolução Soviética. Durante as provas de roupas, conhecemos um homem que enfeita o traje com medalhas autênticas. E, quando perguntado, revela que as recebeu do Czar em pessoa. Também, é perguntado por outro ator, o porquê de não parar de balançar a cabeça, e o homem revela ter sido o resultado de um choque. Aqui,  temos um salto temporal, quando o homem lembra os acontecimentos que o levaram a estar ali.

O homem (Jannings) é o Grão Duque Sergius Alexander, no comando de uma das tropas do governo Romanoff. Durane o longa o Grão Duque conhece dois atores revolucionários Natalie Dabrova (Evelyn Brent) e Lev Andreyev (William Powell). Enquanto o ator é atirado na prisão, a mulher se torna amante do Duque. Ela tenta matá-lo, mas no momento hesita e percebe que o Grão Duque é um homem decente que apesar de ideias contrárias, ama a Rússia tanto quanto ela.

Quando chega a revolução, Natalie sacrifica a própria vida para que o Duque possa escapar. A morte dessa leva-o ao choque nervoso já citado. Quando a história termina, estamos novamente em Hollywood (dez anos depois da revolução) perto de uma cena prestes a ser filmada: a batalha final da Revolução Russa.


Observações: A ideia original (de autor controverso) surgiu da quantidade de pessoas que na época iam para Hollywood trabalhar como extras. Pessoas que outrora eram alguém.  Histórias ambientadas na Rússia não eram raras  em Hollywood. A realeza caída, a revolução, as artes, a música, a dança, o frio e a distância chamava a atenção do outro lado do globo, para tanto posso citar "The Scarlat Lady", de Alan Crosland, "The Red Dance", de Raoul Walsh e "Mockery" de Benjamin Christensen.

A crítica sobre a indústria cinematográfica está bastante presente nas cenas iniciais, quando o Grão Duque vai buscar os acessórios para sua roupa e é empurrado junto com uma horda de outras pessoas fazendo a mesma atividade. Também o fato de cada peça do costume se adquirir em uma janela de serviço diferente, lembra bastante a linha de inspeção feita nos soldados em tempos de guerra, como diz o próprio inter-título "A linha de pão de Hollywood".

Além da crítica a Hollywood, o filme também faz uma análise no sentido: todo homem do outro lado numa revolução é um homem pequeno? Ou todos são grandes homens que estão em lados diferentes? O personagem de William Powell, uma vez torturado pelo Grão Duque, agora tem em suas mãos o poder  de fazer o que bem entender com o outrora algoz. Mas, agora, ele percebe: mesmo após a Revolução, o homem ainda não perdeu suas convicções e permanece fiel ao que acredita.

Na cena clímax  no estúdio, o diretor permite ao Grão Duque, numa cena comovente, interpretando a si mesmo, liderar a defensa que nunca teve chance. Ao fim Emil Jannings cai ao chão quite com seu país e destino, e pronto para receber seu Oscar de Melhor Atuação.

3 comentários:

  1. Esse filme não é maravilhoso? Adorei tê-lo visto em 2012, e tornou-se logo um dos meus filmes mudos favoritos.
    Beijos!

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  2. Também é um dos meus filmes mudos preferidos. A cena final é simplesmente maravilhosa.

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  3. Caramba! Há tempos que não passava por aqui, não? Peço até desculpas por isso. Seu blog é um dos meus preferidos. E eu sou a pior pessoa pra avaliar os filmes de Jannings (sabe como é né? Fã é fã HAUAHUHA)... mas esta película, de fato, é excelente!

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