quarta-feira, 10 de abril de 2013

Infâmia (1961)

Infâmia (The Children’s Hour) é uma produção de Metro-Goldwyn-Mayer, de 1961, dirigido por William Wyler (mesmo diretor de Ben Hur), estrelado por Audrey Hepburn, Shirley MacLaine e James Garner. Baseado na peça The Children’s Hour, de Lillian Hellman, que teve espaço na Broadway em 1934, William Wyler dirigiu duas versões do filme, uma em 1934 com o título These Three e estrelado por Miriam Hopkins, Merle Oberon e Joel McCrea, e o citado primeiramente, que recebeu o mesmo nome da peça. A versão de 1961 teve 5 indicações ao Oscar, 3 indicações ao Globo de Ouro e vencedor do Laurel Awards na categoria de melhor atriz dramática com Shirley MacLaine.

O filme é sobre duas jovens professoras, Karen Wright (Audrey Hepburn) e Martha Dobie (Shirley MacLaine), que administram uma escola para garotas. A carreira de ambas é colocada em risco quando uma das alunas, Mary Tilford, começa a contar mentiras sobre elas à sua avó, Amelia Tilford, alegando que viu e ouviu as duas professoras no quarto de uma delas tarde da noite. A mentira ganha força e os pais de todas as garotas retiram-nas da escola. Karen Wright está noiva de Joe Cardin (James Garner) e mesmo ele passa a acreditar que os rumores são verdade, o que destrói o noivado.

A questão do lesbianismo tem fortes tendências no filme, onde os personagens começam a questionar se a amizade das duas professoras pode ultrapassar isso. A década é por volta de 1934 e a censura é rígida, por isso a ruína para as professoras. É sobre o forte poder da mentira e nos leva a refletir se não existe alguma verdade embutida na causa e consequências.

Apesar de o filme ter a temática LGBT, nem mesmo as atrizes principais conversavam sobre o assunto, como Shirley MacLaine confessa, no documentário The Celluloid Closet, de 1995, “Não sabíamos o que estávamos fazendo”.

Numa das cenas finais do filme, Martha confessa a Karen que a ama. É uma cena dramática pelo valor da relação, da amizade das duas, bem como um pesar social, onde uma pessoa sofre por amor e não pode ao menos dizer isso porque não é “natural”, não é correto aos padrões sociais, tradicionais. Martha diz que se sente poluída e culpada pela ruína da escola. Karen não a culpa, no entanto, e permanece fiel à amiga.

Quando a câmera está focalizando o rosto de Martha, num dos últimos minutos, ela apresenta uma aparente felicidade. Olha pela janela a amiga andando no quintal da escola, e sorri. É uma cena marcante pois mostra a resignação da personagem ao que aconteceu, como se ela finalmente se conformasse com sua situação. A verdade sobre si mesma que ela tanto tentou esconder de todos e que por fim foi revelada quando uma “aluna entediada” — como ela diz no filme — contou falsas acusações.

Por Josi Siqueira




Aviso: Por razões de trabalho e estudos, estou ficando sem tempo para postar no blog, então não estranhe ficar mais parado do que já está. Mais para frente pretendo postar sobre Jane Austen, sobre filmes de origem lusófona e sobre as grandes divas do R&B do começo do século passado.

6 comentários:

  1. Me surpreendi com o filme, acredita? Eu achei que por ser de temática LGBT, ele iria ser bem mais ... inocente, não sei se você me entende. Achei-o bem atual e as atuações das atrizes principais estão ótimas né? Ok nesse quesito eu sou suspeita pois amo a Audrey Hepburn, rsrsrs.
    Beijos <3

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  2. P.S: Sabia que a Keira Knightley estava fazendo essa peça - The Children's Hour - em Londres, no teatro?

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  3. Vi Shirley falando sobre esse filme no documentário The Celluloid Closet, mas ainda não conferi o filme. Procurarei ambas as versões, para ver como um tema tão polêmico foi tratado.
    Aliás, já viu Júlia, em que Jane Fonda interpreta Lillian Hellman?
    Beijos!

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  4. Ola ,não consigo saber como perdi este filme,pois sou muito fã destas duas atrizes.Muito boa tua lembrança de fazer um post sobre este tema tão divergente na época.grande abraço.SU.

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  5. Iza- Não fazia ideia sobre a peça com a Keira. Quem dera estar em Londres...

    Lê- Estou com Julia na minha lista de filmes, mas ainda não tive tempo para conferir. Ainda não vi a versão de 1934, mas é um projeto para o futuro.

    Suzane- Procure o filme. É mesmo interessante como o tema é tratado. Tão sutil.

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  6. Em termos do que se é moral e ética, só se torna polêmico e desejoso pela nossa ignorância, aquilo que pela nossa consciência não nos é permitido. O Homossexualismo será sempre uma questão infame por não nos ser permitido e assim se tornando num falso desejo.
    Analisando o filme, nota-se que de forma inconsciente a nossa inteligência primitiva é realmente algo chocante. Para nos levar ao erro e tentar nos convencer apenas a nós mesmo do quanto a nossa ignominia está correta, a inteligência age da seguinte forma:
    No enredo do filme em questão, através das possibilidades dos fatos, primeiro questionasse o mal (Homossexualismo) como um mal menor o relacionando com um suposto mal maior(Julgamento sem provas, fofocas culminando na desgraça das pessoas que praticaram o mal) se sobrepondo ao mal em questão que seria o homossexualismo. E assim, de grão em grão a galinha enche o papo. Quando deveríamos expulsar de nossas vontades, tanto o homossexualismo como a prática da injúria e difamação, daqui a pouco estamos aceitando a prática do homossexualismo como algo normal apenas porque ficamos penalizados pelo fato de que os homossexuais são estigmatizados pelas sua práticas imorais.
    Em termos do que se É mal, quando se discute um mal como um suposto bem, estamos dando em totalidade a este mal, uma certa máscara para que se fantasie de bem. Ora, o mal não se discute, pode se discutir uma coisa que É mal?
    É o coitadismo agindo em nome da ignorância. Vão com o relativismo de vocês para outro lugar!!!!

    Bonito e perfeito é se ter uma vida pregressa, infame e desrespeitosa. É só subverter a nossa própria consciência que para os outros somos visto como "perfeitos".
    Lesbianismo não tem nada de natural, e se passa na TV, é somente após as 9 horas, e se esta prática é normal, que esta verdade fique apenas no imaginário do autor deste texto se assim ele desejar, meu desejo sincero é que um dia o autor deste texto encontra a lógica por trás do véu da ignorância.
    Espiritos, Espiritos, vocês não são nem masculinos e nem femininos e tanto mais por isso deviam viver sua natureza sexual sem terem que apelar para o imoral.
    O prazer sexual entre um homem e uma mulher não é diferente do mesmo prazer sexual entre duas mulheres, então, porque não vivermos nossa natureza sexual? Se sou mulher, devo procurar um homem, se sou homem devo procura uma mulher, pronto. Porque complicar tanto, será que a curiosidade tem tanto poder assim sobre nossa ignorância.
    A vida não é só isso, há coisas muito mais além do que os nossos sentidos podem alcançar.
    O inferno como um lugar é uma mentira, concordo, mas o inferno pessoal de cada um de nós, está nos parecendo mais real do que nunca, e este é o grande motivo que faz com que pessoas se suicidem, se envolvam com o crime, com as drogas, sejam acometidas por doenças degenerativas, e etc e esta realidade não está confinado apenas a esta dimensão, o pior é quando formos transportados através disto que chamamos de morte, para a realidade absoluta, este vislumbre da verdade é que será dificil para cada um de nós.

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